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Agrot�xicos e Toxicologia / Assuntos de Interesse / Reavalia��es de Agrot�xicos
Arquitetura e Engenharia x Controle de Infecção

Quais as diferenças entre um centro cirúrgico ambulatorial e uma sala de procedimentos em consultório em termos de espaço físico, instalações (oxigênio, circulação, expurgo, ventilação, carrinho de anestesia) e equipamentos mínimos para funcionamento? Há diferenças entre sala de pequenos procedimentos (ou se denomina apenas consultório médico) e sala de cirurgia ambulatorial?

A norma que regulamenta todos os projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde, inclusive centros cirúrgicos e clínicas, é a Resolução RDC 50/2002.

Cirurgias, ambulatoriais ou não, devem ser realizadas sempre em centros cirúrgicos. Estes podem ser ambulatoriais ou "tradicionais". Os ambulatoriais pelo tipo de atividade que realizam, podem ter seu programa simplificado, ou seja, requerem um número menor de ambientes, conforme indicado na Resolução. Centros cirúrgicos "tradicionais" podem realizar cirurgias ambulatoriais, entretanto o inverso não é possível, salvo se o centro cirúrgico ambulatorial for completo, a exemplo do "tradicional"

Outros tipos de procedimentos que não sejam cirurgias (pequenas, médias ou grande - o que importa não é o tamanho, e sim a complexidade e o risco do procedimento) podem ser feitos no consultório ou em salas de curativos e suturas.

Em termos de instalações, há uma diferença enorme entre centros cirúrgicos e sala de curativos e consultórios, a começar pelo sistema de ar que, no primeiro caso, deve ser com filtragem absoluta, taxas altas de trocas de ar, pressões diferenciadas e etc. A gama de outros tipos de instalações (gases, elétrica de emergência e etc) é muito maior em um CC. Veja a RDC 50/2002.

Essas diferenças entre um ambiente e outro têm o intuito de proporcionar a correta escovação e colocação de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), procedimentos cirúrgicos, anestésicos e pós-anestésicos com qualidade, diminuição dos riscos de infecção e etc. Tudo isso para garantir a total integridade e segurança do procedimento, conforto e segurança da equipe de assistência e principalmente a saúde do paciente

Temos tido conhecimento de que vários desses profissionais citados estão fazendo cirurgias fora de centros cirúrgicos expondo os pacientes a um risco elevado. Temos orientado as vigilâncias sanitárias estaduais e municipais a coibirem esta prática

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Centro cirúrgico - É proibido se ter janelas em sala de cirurgia? E se elas forem fixas (sem abrir) e que não provoquem a incidência solar, a qual pode ser controlada de acordo com a orientação (ex. fachada sul não "pega" sol) ou com sistemas externos de proteção (ex. beirais, brizes e etc.)?

Por uma série de razões, é melhor que as salas cirúrgicas não tenham janelas. A visão para o exterior é prejudicial, pois pode distrair a atenção da equipe em um momento vital. O sol entrando pode refletir no olho (diretamente ou através de um material refletivo) do cirurgião. Por fim, a higienização da sala pode ser feita muito mais facilmente se não existirem janelas. Para relaxamento da equipe, todo Centro Cirúrgico (CC) deve possuir uma copa e, de preferência, um estar junto a esta; todo centro cirúrgico deve ter um sistema de climatização que garanta a qualidade do local conforme norma específica (NBR 7256). Portanto, ar interno de um centro cirúrgico deverá ter uma qualidade melhor do que o ar externo e, assim, as pessoas que ali trabalham serão beneficiadas. Sistemas de ar existem para melhorar e garantir a qualidade do ar de interior e não para piorar. Só piora se a manutenção e a limpeza são deficientes

De forma alguma devem ser abertas as janelas para fazer a limpeza e descontaminação da sala. Imagine a quantidade de poeira ou outros poluentes que podem entrar se abrirmos a janela. Procure a comissão de infecção de seu hospital para verificar como deve ser feita esta higienização

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Centro cirúrgico - É possível se ter uma sala de recuperação pós-anestésica voltada para um jardim (de acesso restrito), com janelas fixas e protegidas da incidência solar, como forma de ajudar na recuperação do paciente e também de seu bem-estar, como forma de humanização dos espaços?

É possível desde que totalmente isolado do interior da sala, ou seja, haverá somente um vidro entre o jardim e a sala. No entanto, esse jardim é considerado desnecessário, pois os pacientes destas salas normalmente estão inconscientes e justamente quando recobram a consciência, eles saem dali e vão para os quartos ou para Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O jardim poderá servir somente para contemplação do pessoal do posto de enfermagem que deve existir nessa área. Se quiser fazer um jardim isolado, tente colocá-lo junto à copa e a área de estarque são os locais de relaxamento da equipe. A humanização dos ambientes para o paciente, nesse caso, não é muito importante devido ao seu estado de consciência, ao contrário da UTI, internação e etc.

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Centro cirúrgico - Forro de gesso é proibido em sala de cirurgia? E de PVC? É interessante que as luminárias da sala sejam embutidas com um vidro superficial para facilitar a limpeza? Mas embutir onde?

O gesso pode ser utilizado sem problemas porque é estanque, já o de PVC não, pois forros removíveis podem propiciar a queda de poeira ou de outro material na ferida cirúrgica. Sobre as luminárias, além do foco cirúrgico, devem existir algumas para iluminar a sala e estas devem ser sempre embutidas no teto com uma proteção de vidro para melhor limpeza

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Centro cirúrgico - Qual o tipo de porta mais indicada para sala de cirurgia? E o material?

A porta pode ser de abrir ou de correr, e se for de correr o trilho deve ser estar apenas na parte superior. A porta não deve ter menos de 110 cm e possuir visores de vidro para evitar que a mesma seja aberta a todo o momento e até mesmo evitar acidentes. A parte de baixo deve ser resistente de modo a receber o impacto das macas. Pode ser de madeira desde que o revestimento seja lavável.

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Centro cirúrgico - Pode ter ventilação natural (janelas com tela) nos demais ambientes do centro cirúrgico (fora sala de cirurgia), já que com o sistema mecânico, a sala teria pressão positiva em relação aos outros?

Teoricamente estaria correto, mas não é somente na sala cirúrgica que devemos ter cuidado com o ar e sim em todo o centro cirúrgico. Movimentações de portas e pessoas podem criar turbulências no ar e interferir nas pressões, além do mais, nem sempre as salas de cirurgia devem ter pressões positivas. Cirurgias contaminadas requererem pressões negativas e se o ar do corredor não for de qualidade haverá prejuízo no ato cirúrgico. Todo o Centro Cirúrgico (CC) deve possuir um sistema de ar mecânico.

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Qual a normatização técnica do Ministério da Saúde sobre a obrigatoriedade de se ter uma barreira à porta do centro cirúrgico (uso de maca com sistema de transferência), ou se os pacientes podem entrar no centro cirúrgico sem que haja necessidade de troca de maca?

A legislação que normatiza o assunto é a Resolução RDC 50/2002. No capítulo Condições Ambientais de Controle de Infecções Hospitalares, a Resolução cita:

"Barreiras físicas são estruturas que devem ser associadas a condutas técnicas visando minimizar a entrada de microorganismos externos. São absolutamente necessárias nas áreas críticas. As exigências de isolamento de patógenos variam de acordo com a via pela qual são eliminados. As precauções padrão procuram cobrir todas estas possibilidades e para viabilizar a operacionalização existem procedimentos de segurança e barreiras individuais (luvas, avental, máscara e óculos de proteção - EPI), assim como barreiras físicas que correspondem a alguns compartimentos do EAS em especial aos vestiários e aos quartos privativos.

Portanto, apesar da resolução não ser explícita quanto à questão da passagem de macas, e tendo em vista que centros cirúrgicos são áreas críticas, faz-se necessária uma barreira física na entrada da unidade e, conseqüentemente, a troca de macas ou chassi. Pacientes de cirurgias ambulatoriais podem entrar andando através do vestiário de barreira do centro cirúrgico

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Gostaria de fazer uma barreira de pé na porta da esterilização e na porta do expurgo de uma clínica odontológica. Ambas as portas dão para um corredor de serviço. Penso que a barreira de pé vai diminuir a contaminação. Gostaria de saber se uma barreira de 10 cm de altura, largura da porta, em alvenaria devidamente revestida é o suficiente. Existem normas para barreiras?

A norma que regulamenta o planejamento físico de todos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS), inclusive clínicas odontológicas, é a Resolução RDC 50/2002. Consulte em especial o item B.1 Barreiras Físicas, do capítulo de Condições Ambientais de Controle de Infecção

A barreira de pé deve ter altura de um banco, pois sua finalidade é a colocação do pró-pé, que é um Equipamento de Proteção Individual (EPI). Uma barreira de 10 cm de altura ao invés de contribuir para a prevenção de infecção, poderia causar acidentes

Em todo caso, na sala de utilidades (sala que abriga o expurgo) não há necessidade de colocação de pró-pé. Apenas na Central de Material Esterelizado (CME) é obrigatória a colocação de pró-pés, os quais deverão ser colocados no vestiário de barreira que dá acesso a ela.

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Existe norma regulamentando o fluxo de material a expurgar de salas cirúrgicas por condução em carrinho fechado até o local de expurgo?

A norma que regulamenta a questão de circulações e conseqüentemente fluxos de hampers (carros) de material sujo ou limpo é a Resolução RDC 50/2002. Essa Resolução cita no item A.3. do capítulo Condições Ambientais de Controle de Infecção que:

"A melhor prevenção de infecção hospitalar é tratar os elementos contaminados na fonte; o transporte de material contaminado, se acondicionado dentro da técnica adequada, pode ser realizado através de quaisquer ambientes e cruzar com material esterilizado ou paciente, sem risco algum. Circulações exclusivas para elementos sujos e limpos é medida dispensável nos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS). Mesmo nos ambientes destinados à realização de procedimentos cirúrgicos, as circulações duplas em nada contribuem para melhorar sua técnica asséptica, podendo prejudicá-la pela introdução de mais um acesso, e da multiplicação de áreas a serem higienizadas".

Portanto, como exposto, não há problema algum no cruzamento de material sujo ou mesmo limpo com pacientes, desde que acondicionado corretamente, ou seja, dentro de hampers fechados e em sacos plásticos próprios lacrados. Se esse material não cruzar no centro cirúrgico, certamente irá cruzar com pacientes em outro ponto do hospital. Pode-se ordenar o fluxo desses carrinhos em função de uma melhor organização administrativa, mas não por uma questão de infecção

Quanto à sala de utilidades, (que serve dentre outras coisas ao expurgo e, portanto, deve conter uma pia de despejo), de acordo com a RDC 50/2002, deve estar sempre dentro do centro cirúrgico, justamente para recolher o material sujo da unidade e depois mandá-los a Central de Material Esterelizado (CME) (quando couber) para lavagem, desinfecção e esterilização.

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De acordo com as normas vigentes de controle de infecção hospitalar na área de arquitetura e engenharia, é permitido usar pintura texturizada nas paredes da recepção de uma maternidade e, caso seja inconveniente, qual seria a melhor forma de revestí-la em termos de pintura?

Não há problema algum, pois esta é uma área não crítica.

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Sala cirúrgica tem de ter os cantos arredondados?

Os cantos arredondados, tanto em paredes quanto no piso não são obrigatórios e em alguns momentos são desaconselháveis. O arredondamento, além de ser de difícil execução, é impróprio para diversos tipos de revestimento, como por exemplo, o laminado melamínico, que em cantos redondos na parede formam diversas frestas que contribuem para o acúmulo de poeira no local

Embora não existisse uma norma que determinasse a execução dos rodapés arredondados, essa era uma prática comum e não questionada. O atual estágio de conhecimento na área de controle de infecção hospitalar demonstra que a orientação de se executarem rodapés com cantos arredondados com a justificativa de facilitar a limpeza do ambiente, há muito tempo deixou de encontrar fundamento técnico. Os rodapés têm a função de proteger os painéis divisórios verticais contra batidas ocasionadas por vassouras, rodos, enceradeiras, de rodinhas de carrinhos e macas ou mesmo de sapatos dos transeuntes. A execução da junção entre o rodapé e o piso deve ser de tal forma que permita a melhor limpeza do canto formado. Deste modo, a Resolução RDC 50/2002, definiu a função dos rodapés e os cuidados na execução dos mesmos, conforme descrito a seguir:

“A execução da junção entre o rodapé e o piso deve ser de tal forma que permita a completa limpeza do canto formado. Rodapés com arredondamento acentuado, além de serem de difícil execução ou mesmo impróprios para diversos tipos de materiais utilizados para acabamento de pisos, pois não permitem o arredondamento, em nada facilitam o processo de limpeza do local, quer seja ele feito por enceradeiras ou mesmo por rodos ou vassouras envolvidos por panos. Especial atenção deve ser dada a união do rodapé com a parede de modo que os dois estejam alinhados, evitando-se o tradicional ressalto do rodapé que permite o acúmulo de pó e é de difícil limpeza."

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Qual a diferença de expurgo e utilidade? Ou são a mesma coisa? Há necessidade de instalação de vaso sanitário nestes ambientes para o descarte de secreções?

A sala de utilidades ou expurgo é um ambiente destinado à limpeza, desinfecção e guarda dos materiais e roupas utilizados na assistência ao paciente e guarda temporária de resíduos. Essa sala deve ser dotada de pia e/ou esguicho de lavagem e de pia de despejo. A pia de despejo pode ser feita com uma bacia sanitária acoplada por baixo na bancada. Esta "pia" é destinada a receber resíduos líquidos e pastosos, deve ser dotada de válvula de descarga e de tubulação de esgoto de no mínimo 75mm.

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No ambiente para a saúde pode ser utilizada parede de gesso acartonado ou divisórias de PVC?

Nas áreas não-críticas dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS) é possível a utilização tanto de divisórias como de gesso acartonado, sem restrição. Já em ambientes semi-críticos, as divisórias e a parede de gesso acartonado só poderão ser utilizadas se forem resistentes ao uso de desinfetantes e a lavagem com água e sabão. Por fim, nas áreas críticas o uso de divisórias removíveis não é permitido, entretanto, paredes pré-fabricadas (gesso acartonado) são permitidas se o revestimento das mesmas seguirem os parâmetros citados para os ambientes semi-críticos, ou seja, as paredes pré-fabricadas devem ter acabamento monolítico, não possuírem ranhuras ou perfis estruturais aparentes.

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Os últimos encontros da área hospitalar têm levantado a questão da dificuldade de limpeza por enceradeira, dos rodapés arredondados, e que se tem constatado também, que pouco influenciam no controle da infecção hospitalar. Como orientar clientes em futuros projetos? Há alguma tendência a liberar o seu uso? Sobre o uso de granito nos corredores: não são escorregadios demais?

Embora não existisse uma norma que determinasse a execução dos rodapés arredondados, essa era uma prática comum e não questionada. O atual estágio de conhecimento na área de controle de infecção hospitalar demonstra que a orientação de se executarem rodapés com cantos arredondados com a justificativa de facilitar a limpeza do ambiente, há muito tempo deixou de encontrar fundamento técnico. Os rodapés têm a função de proteger os painéis divisórios verticais contra batidas ocasionadas por vassouras, rodos, enceradeiras, de rodinhas de carrinhos e macas ou mesmo de sapatos dos transeuntes. A execução da junção entre o rodapé e o piso deve ser de tal forma que permita a melhor limpeza do canto formado. Deste modo, a Resolução RDC 50/2002, definiu a função dos rodapés e os cuidados na execução dos mesmos, conforme descrito a seguir:

“A execução da junção entre o rodapé e o piso deve ser de tal forma que permita a completa limpeza do canto formado. Rodapés com arredondamento acentuado, além de serem de difícil execução ou mesmo impróprios para diversos tipos de materiais utilizados para acabamento de pisos, pois não permitem o arredondamento, em nada facilitam o processo de limpeza do local, quer seja ele feito por enceradeiras ou mesmo por rodos ou vassouras envolvidos por panos. Especial atenção deve ser dada a união do rodapé com a parede de modo que os dois estejam alinhados, evitando-se o tradicional ressalto do rodapé que permite o acúmulo de pó e é de difícil limpeza."

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Os médicos proprietários de clínicas de oftalmologia têm questionado a exigência de se instalar lavatórios em consultórios e nas salas de exames, sob o argumento de que os pacientes não são tocados pelos médicos durante a realização dos exames. É dispensável a instalação de lavatório nos ambientes que dispõem dos equipamentos e/ou realizam exames a seguir mencionados: oftalmoscópio, refrator, mapeador, projetor, lâmpada de fenda, tonômetro de sopro, auto kerato refrator, lensômetro, ceratômetro normal, lâmpada de fenda, auto refrator, topógrafo, microscopia especular de córnea/paquímetro, ecógrafo, retinógrafo, contrastes e mapeador de retina?

O argumento de que os pacientes não são tocados não é verdade. Esta situação de não tocar no paciente pode acontecer algumas vezes, como em muitas outras especialidades. Entretanto, imagine um paciente com conjuntivite, doença que é transmitida com facilidade, sendo examinado e o médico não lavar as mãos depois desta consulta. Com certeza deve-se ter um lavatório no consultório. Mesmo nestas salas de exames é muito comum o médico manipular o paciente (olho) de modo a ajeitá-lo no equipamento, que por sinal deve sofrer sempre assepsias rotineiras. Portanto, os lavatórios nunca são demais. Logicamente em função de um leiaute favorável, a ser analisado caso a caso, talvez se possa ter um único lavatório servindo a mais de uma sala de exames.

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A regra de um lavatório para cada cinco leitos de não isolamento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) vale também quando o conceito da UTI é de planta com leitos individuais (box com porta), ou nesse caso é necessário um lavatório por box? O banheiro de pacientes da UTI tem de possuir ducha higiênica ou é opcional?

No caso dos quartos individuais da UTI, é necessário um lavatório por quarto. O uso de um lavatório para mais de um leito é válido somente para áreas coletivas. Todo banheiro deve possuir ducha higiênica junto à bacia sanitária e ducha manual junto ao chuveiro de pacientes.

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Gostaria de saber se enfermarias devem ser dotadas de ralos no piso para escoamento de água com tampa rotativa?

O processo de higienização de uma enfermaria ou de um quarto de internação dificilmente é feito jogando-se água em abundância no ambiente. Normalmente o que se usa são panos embebidos com detergentes. Portanto, é desnecessária a existência de ralos neste tipo de ambiente

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Gostaríamos de saber se hoje existe alguma resolução específica do Ministério da Saúde que relata a necessidade dos Estabelecimentos Assistencias de Saúde (no caso hospitais) de possuírem uma Central de Materiais Esterilizados (CME) com barreira de isolação entre as áreas "suja", "limpa" e esterilizadas. E também se é necessário a substituição das autoclaves de uma porta por autoclaves de porta dupla para adequação das CME?

A norma que regulamenta o planejamento físico de todos estabelecimentos assistenciais de saúde (EAS), inclusive CME, é a Resolução RDC 50/2002. Veja em especial a tabela de CME e o capítulo de Condições Ambientais de Controle de Infecção. De acordo com a RDC n° 50: "as atividades de recebimento, descontaminação, lavagem e separação de materiais são consideradas "sujas" e portanto devem ser, obrigatoriamente, realizadas em ambiente(s) próprio(s) e exclusivo(s), e com paramentação adequada com a colocação dos seguintes Equipamento de Proteção Individual (EPI): avental plástico, botas, óculos e luvas (não cirúrgica). Entretanto, deve permitir a passagem direta dos materiais entre este(s) ambiente(s) e os demais ambientes "limpos" através de guichê ou similar.

É obrigatória a instalação de sanitários com vestiário de barreira na entrada da área "limpa", que consiste nas áreas de recepção de roupa limpa, preparo de materiais, esterilização e sala/área de armazenagem e distribuição. Na área "suja", cujos ambientes são: recepção, descontaminação, separação e lavagem de materiais, é necessário sanitário para funcionários. Este não se constitui necessariamente uma barreira à área "suja"

A utilização de autoclaves de porta dupla não é obrigatória, pois os resultados obtidos com seu uso, do ponto de vista de esterilidade do produto e layout da sala, não são melhores do que os obtidos com autoclaves de uma porta. Neste caso, estamos falando de um equipamento que ficaria entre duas áreas "limpas", portanto, não há respaldo técnico para o uso de barreira. A utilização deste tipo de equipamento gera alguns problemas como acesso prejudicado à manutenção do equipamento e geração de calor no interior da sala, o que não acontece com a máquina de uma porta. É mais interessante o uso de uma termodesinfectadora de barreira entre a sala de recepção (“suja") e a de preparo (“limpa").

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Há obrigatoriedade de telas em janelas para alguns setores dos Estabelecimentos Assistencias de Saúde (EAS) e quais são eles?

A recomendação de colocação de telas milimétricas é válida somente para locais onde há grande incidência de insetos, caso contrário, não há necessidade. Em ambientes como a cozinha, sempre é interessante a adoção de medidas que evitem a entrada de animais no estabelecimento. As áreas críticas devem possuir um sistema de ar condicionado e, portanto, a tela é dispensável.

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A Portaria MS nº 400/1977 revogada pela Portaria MS/GAB nº 1.884/94 previa piso de cor clara para o centro cirúrgico. A Resolução RDC 50/2002 somente prevê que seja de fácil limpeza, omitindo a cor clara também. É recomendável que pisos de áreas críticas (e até semicríticas) sejam de cor clara visando facilitar a visualização de fluidos corpóreos, excretas e etc (ou seja, não esconder a sujeira) e, conseqüentemente, a sua limpeza e desinfecção?

A retirada da palavra clara se justifica, pois a cor clara nem sempre mostra a sujeira na superfície, muito pelo contrário, alguns tons claros (bege, por exemplo) podem esconder a sujeira. A título de exemplo, podemos citar que hoje nos centros cirúrgicos os pisos são normalmente pretos, pois essa ausência de cor ressalta mais a sujeira do piso do que a cor cinza, por exemplo. A cor branca também é ótima para essas situações

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Quais são as normas técnicas a respeito da legislação correta para instalação de pias nas salas de curativo e consultório odontológico, como também quais são as características e como deverá ser a instalação hidráulica?

A norma que regulamenta o planejamento físico de todos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS), inclusive a instalação hidráulica, é a Resolução RDC 50/2002. Consulte em especial o capítulo de instalações e o de controle de infecção

Neste último, são especificadas as diferenças entre lavatórios, pias e lavabos cirúrgicos. Enquanto o lavatório é exclusivo para a lavagem de mão, a pia de lavagem é destinada preferencialmente à lavagem de utensílios, podendo ser também usada para lavagem das mãos. Já o lavabo cirúrgico é exclusivo para o preparo cirúrgico das mãos e antebraço.

Tanto na sala de curativos como no consultório odontológico, a instalação de recursos de lavagem de mão e utensílios é obrigatória, portanto a instalação de uma única pia de lavagem seria possível. Porém, devido à quantidade de material normalmente acumulada em ambos os locais, sugere-se que seja instalada tanto a pia como o lavatório dentro de cada sala

As normas não chegam ao detalhe de dimensionamento e revestimento das pias e lavatórios. Como sugestão, recomendamos uma bancada de Superfície Sólida Mineral (SSM) com uma cuba moldada na mesma. Desta forma, não haverá frestas entre a cuba e a bancada. O tamanho é uma decisão do projetista em função do uso. Atenção especial deve ser dada à torneira, que tem que ser do tipo que prescinda do uso das mãos quando do fechamento d'água, bem como o porta-sabão que deve ser para líquido, obtido por aspersão (sem toque das mãos no orifício de saída).

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Deve-se colocar lavatório (somente a pia) dentro de consultórios (da central de consultas) quando já existe banheiro dentro da sala?

Como os consultórios são ambientes de uso individualizado e não de uso público, não há necessidade de se instalar lavatórios exclusivos. Caso os consultórios não fossem providos de banheiros, seria necessária a previsão de lavatórios. Uma medida interessante é colocar um lavatório fora do banheiro, de modo que sirva ao banheiro (ou sanitário) e ao consultório ao mesmo tempo. Este layout permite que os pacientes possam ver os médicos higienizarem as mãos antes da consulta.

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O uso de produtos a base de álcool gel dispensa a instalação de lavatórios nos Estabelecimentos de Assistência de Saúde (EAS)?

Não. O uso de loções anti-sépticas não substitui a lavagem das mãos em lavatórios com água corrente. O uso desses produtos especiais só deve ser feito como medida adicional ao controle de infecções.

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Existe uma exigência com relação ao piso de consultórios e sala de pequenos procedimentos. É permitido colocar cerâmicas ou granitos?

É perfeitamente possível. Utilize rejuntes a base de epóxi e cerâmicas com baixa absorção de água (abaixo de 4%). Impermeabilize os granitos.

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O centro cirúrgico e UTI devem obrigatoriamente possuir laje de cobertura ou há outra solução que dispense a laje como elemento de vedação?

Os tetos em áreas críticas (como salas cirúrgicas, área dos leitos da Unidade de Terapia Intensiva – UTI – e outros) devem ser contínuos, sendo proibido o uso de forros removíveis. Esses tipos de forro podem interferir na assepsia dos ambientes na medida em que existe a possibilidade da entrada de poeira através das frestas e assim prejudicar o procedimento que está sendo realizado na sala. Forros de gesso corrido, sem ranhuras ou perfis, possuem ótima estanqueidade e podem ser utilizados em áreas críticas. Portanto, o que importa é que o teto seja estanque e não que seja uma laje. Esse problema é restrito a área onde o paciente está sendo atendido e, por isso, os corredores de circulação de um centro cirúrgico, por exemplo, não precisam atender esse requisito

É oportuno lembrar que o principal usuário de um Estabelecimentos de Assistência de Saúde (EAS) é o paciente, que se encontra quase sempre deitado. Dessa forma, seu referencial é o teto, e, portanto, atenção especial deve ser dada na escolha do revestimento dessa superfície. A grande maioria dos arquitetos esquece desse detalhe e o que vemos são geralmente tetos brancos e com luminárias ofuscantes.

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A área de quimioterapia pode ser feita sem laje, com forro de PVC?

Os tetos em áreas críticas (especialmente nas salas destinadas à realização de procedimentos cirúrgicos ou similares) devem ser contínuos, sendo proibido o uso de forros falsos removíveis. Nas demais, pode-se utilizar forro removível, inclusive por razões ligadas à manutenção. Ou seja, é possível a utilização de forros de PVC, já que dentro da sala de preparo de quimioterápicos não há procedimentos críticos, além do que, toda manipulação é realizada em uma cabine de segurança biológica que protege todo o procedimento.

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Para montar uma central para preparo de nutrição parenteral, é possível usar divisórias para separar os ambientes (sala de preparo de materiais, sala de paramentação, sala de manipulação)? É necessário ter um sistema de ar além da capela?

É preciso um sistema de ar com filtragem, conforme determina a Portaria nº 272 de 08/04/98 do Ministério da Saúde.

Sobre a questão das divisórias, não é interessante o uso, pois estas possuem muitas ranhuras que dificultam a higienização do ambiente que se pretende o mais limpo possível, inclusive com filtragem do ar

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Há alguma recomendação ou proibição de porta de correr em salas limpas?

É possível instalar portas de correr, inclusive em salas limpas. A recomendação que se faz é que não haja trilho no piso e sim que a porta fique suspensa num trilho superior, facilitando a limpeza do chão

Outra preocupação diz respeito às frestas, que devem ser minimizadas ao máximo.

A norma que regulamenta o planejamento físico de todos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS), inclusive portas, é a Resolução RDC 50/2002.

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Há alguma recomendação ou proibição de porta de correr em salas limpas?

É possível instalar portas de correr, inclusive em salas limpas. A recomendação que se faz é que não haja trilho no piso e sim que a porta fique suspensa num trilho superior, facilitando a limpeza do chão.

Outra preocupação diz respeito às frestas, que devem ser minimizadas ao máximo.

A norma que regulamenta o planejamento físico de todos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS), inclusive portas, é a Resolução RDC 50/2002.

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É possível utilizar cortinas de tecido claros em quartos e enfermarias e qual a legislação sobre isso?

Não há problema, desde que sejam cortinas próprias para áreas hospitalares, ou seja, laváveis, com trilhos especiais, e desde que haja uma rotina de limpeza estabelecida pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Estabelecimento Assistencial de Saúde (EAS). Atualmente, existem no mercado cortinas desenvolvidas especificamente para EAS. Não existe uma norma específica para isto. Consulte a Resolução RDC 50/2002, que é a norma que regulamenta o planejamento físico e a inspeção de todos EAS.

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Qual O comprimento de luz ultravioleta necessária para se colocar numa sala com bancada de 4,53 m x 70 cm, pé direito de 2,55 m e parede com janela de 2,20 m, para se ter uma sala "estéril" para distribuição de meios de cultura no laboratório de Análises Clínicas de um Hospital?

Lâmpadas ultravioletas têm pouca ou quase nenhuma ação na "esterilização" do ar e mesmo de artigos ou superfícies. Certamente o que se pretende não dará resultado

Em primeiro lugar, não se tem ambiente estéril. O que se pode fazer é, por meio de um sistema sofisticado de ar condicionado com o uso de filtros absolutos, controle de pressão e taxas elevadas de renovação do ar, obter o que chamamos de salas limpas, que ainda assim não são estéreis

Lâmpadas ultravioletas têm realmente uma ação esterilizante, mas seu campo de ação é muito pequeno. A luz ultravioleta (UV) é eficaz na inativação do M. tuberculosis em condições experimentais. As lâmpadas comerciais de UV são usadas com o propósito germicida são a vapor de mercúrio de baixa pressão, que emitem irradiação de UV do tipo C (100-290nm), mais comumente no tamanho de onda de 253,7nm.

Com algumas precauções e sob algumas condições, podem ser utilizadas no interior de dutos de exaustão ou de insuflamento de ar na parte superior de ambientes que possam conter as partículas infectantes. Sua eficácia em modelos experimentais varia em função da intensidade do insuflamento, da presença de obstáculos à circulação do ar, do grau de ventilação e do nível de umidade ambiente. Não é considerado substituto do filtro Hepa (absoluto) se o ar insuflado necessita recircular nas salas, ou se o ar contém uma concentração muito elevada de partículas infectantes. Também no uso de cabines de segurança biológicas, agregadas a um sistema de ar conforme explicado, essas lâmpadas podem ser utilizadas, assim como tem sido utilizada na descontaminação e, às vezes, na esterilização de água também sob certas circunstâncias

A luz UV necessita de pessoal treinado na sua manutenção e tem como um dos principais aspectos negativos a sua capacidade carcinogênica e de produzir ceratoconjuntivite. Devem ser instaladas de modo que a exposição de pacientes e profissionais de saúde fique abaixo do nível de exposição máxima considerado seguro, devendo para tanto ter o seu nível de irradiação monitorado por instrumentos de medição. A sua eficácia clínica isolada ainda não foi qualificada.

Consulte a norma da ANBT NBR 13700 - Áreas limpas - Classificação e controle de contaminação e a norma ISO 14644 - parte 4.. Sugerimos entrar em contato com a Sociedade Brasileira de Controle de Contaminação (SBCC) para informações sobre empresas habilitadas para execução de projetos e instalação de salas limpas.

Consulte também a Resolução- RE nº 9, de 16 de janeiro de 2003, que trata de padrões referenciais de qualidade de ar interior em ambientes de uso público e coletivo, climatizados artificialmente e a Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, que é a norma que regulamenta o planejamento físico e a inspeção de todos estabelecimentos assistenciais de saúde (EAS), inclusive sistemas de climatização e laboratórios de análises clínicas.


Endereço: Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) - Trecho 5, Área Especial 57, Brasília (DF) - CEP: 71205-050 c 2005-2009 Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Todos os direitos reservados. ANVISA ATENDE - 0800-642-9782 - webmail