Por que a iodação do sal é obrigatória no Brasil?

Em atendimento à Política Nacional de Alimentação e Nutrição, o sal é o alimento selecionado pelo Ministério da Saúde para suplementar iodo à população. A quantidade de iodo que os seres humanos necessitam durante toda a vida é o equivalente a uma colher de chá, porém, o iodo não pode ser estocado pelo organismo e deve ser ofertado em pequenas quantidades, continuamente. O produto que cumpre este papel é o sal, por ser consumido em pequenas quantidades diárias. Além disso, o iodo não afeta sua aparência nem seu sabor e as técnicas de iodação são simples e de baixo custo.

Como estratégia para suprir a necessidade de iodo pelas populações, diversos países adotam a iodação do sal para consumo humano (sal de cozinha). Embora não se deva consumir sal em excesso, porque ele pode trazer prejuízos à saúde, o consumo moderado e diário é essencial. Não usar sal iodado (sal enriquecido com iodo) ou usar sal para consumo animal (cujo teor de iodo não atende às necessidades do homem) pode ocasionar distúrbios por deficiência de iodo.

 

Qual é o teor de iodo que o sal deve conter?

Para ser considerado próprio para consumo humano, o sal deve conter teor igual ou superior a 15 miligramas até o limite máximo de 45 miligramas de iodo por quilograma de produto. Este teor está estabelecido na RDC nº 23, de 24 de abril de 2013.

Todas as adequações de iodação do sal, realizadas pelo Ministério da Saúde, são feitas de acordo com a recomendação da Organização Mundial da Saúde e especialistas nacionais no tema. Qualquer regulamentação relativa ao sal é previamente discutida na Comissão Interinstitucional para a Prevenção e o Controle dos Distúrbios por Deficiência de Iodo.

 

Qual é o risco sanitário do sal?

Se a iodação do sal não for executada corretamente, o produto final poderá apresentar excesso ou falta de iodo. Ambos os casos podem acarretar danos à saúde da população.

 

Qual é o risco representado pelo sal com teor de iodo acima do regulamentado?

Segundo o Comitê de Nutrição da Organização Mundial de Saúde, o excesso de iodo pode levar a hipertireoidismo clínico e subclínico em idosos (devido à presença de bócio nodular) e tireoidite autoimune (síndrome de Hashimoto) em parcela da população geneticamente suscetível à autoimunidade. A tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune que atinge mais as mulheres, na qual o próprio organismo produz anticorpos contra a glândula tireoide, levando a uma inflamação crônica que pode acarretar o aumento de seu volume (bócio) e a diminuição de seu funcionamento (hipotireoidismo).

 

O que é o iodo e qual a sua importância para saúde?

O iodo é um micronutriente utilizado na síntese dos hormônios tireoidianos, essencial para o homem e outros animais. Esses hormônios produzidos pela tireoide, uma glândula que se localiza na base frontal do pescoço, regulam o funcionamento de vários órgãos, atuando no crescimento físico, neurológico e na manutenção do fluxo normal de energia (metabolismo basal, principalmente na manutenção do calor do corpo). O desequilíbrio na síntese dos hormônios tireoidianos pode causar abortos espontâneos; natimortalidade; mortalidade infantil; distúrbios no desenvolvimento físico e mental com prejuízo da capacidade de aprendizagem das crianças (redução no quociente de inteligência); deficiência de coordenação; letargia; dano cerebral do feto ou recém-nascido; retardo mental; surdez; mudez; nanismo e cretinismo.

 

O que são Distúrbios por Deficiência de Iodo - DDI?

Os Distúrbios por Deficiência de Iodo – DDI são fenômenos amplamente distribuídos em várias regiões do mundo. Populações que vivem em áreas deficientes em iodo sempre terão o risco de apresentar os distúrbios causados por esta deficiência, cujo impacto sobre os níveis de desenvolvimento humano, social e econômico são muito graves. A deficiência de iodo pode causar cretinismo em crianças (retardo mental grave e irreversível), surdo-mudez, anomalias congênitas, bem como a manifestação clínica mais visível: o bócio (hipertrofia da glândula tireoide). Além disso, a má nutrição de iodo está relacionada com altas taxas de natimortos e nascimento de crianças com baixo peso, problemas no período gestacional e aumento do risco de abortos e mortalidade materna. Associada a esses problemas, a deficiência de iodo contribui para o aumento do gasto com atendimento em saúde e em educação, uma vez que incrementa as taxas de repetência e evasão escolar, e reduz a capacidade para o trabalho. As estratégias dirigidas a controlar a deficiência de iodo, portanto, devem ser permanentes e preventivas, especialmente quando se destinam às gestantes, nutrizes e crianças menores de dois anos de idade.