Higienização das mãos em serviços de saúde

As mãos são consideradas as principais ferramentas dos profissionais que atuam nos serviços de saúde, pois é por meio delas que eles executam suas atividades. A segurança dos pacientes, nesses serviços, depende, portanto, da higienização cuidadosa e frequente das mãos desses profissionais.

A higienização das mãos (HM) é reconhecida mundialmente como uma medida primária, mas muito importante no controle de infecções relacionadas à assistência à saúde. Por esse motivo, tem sido considerada como um dos pilares da prevenção de infecções nos serviços de saúde. Apesar disso, estudos sobre o tema mostram que a adesão dos profissionais de saúde às práticas de HM de forma constante e rotineira ainda é baixa, devendo ser estimulada para tornar esses profissionais conscientes da importância de tal hábito.

Além de atender a exigências legais e éticas, o controle de infecções nos serviços de saúde, incluindo as práticas de HM, concorre para a melhoria da qualidade no atendimento e na assistência ao paciente. As vantagens dessas práticas são inquestionáveis, desde a redução da morbidade e da mortalidade até a diminuição de custos associados ao tratamento dos quadros infecciosos.


Tema de atenção global

O termo higienização das mãos engloba a higiene simples, a higiene antisséptica e a antissepsia cirúrgica ou preparo pré-operatório das mãos. Dada a sua relevância, o tema tem sido foco de especial atenção em todo o mundo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu estratégias para melhoria da adesão às práticas de HM em serviços de saúde. A metodologia, conhecida como estratégia multimodal ou multifacetada, prevê cinco componentes:

  • disponibilização da preparação alcoólica no ponto de assistência, além de pia/lavatório, sabonete líquido e água;
  • capacitação dos profissionais;
  • observação das práticas de HM e retorno de indicadores de adesão à equipe;
  • lembretes e cartazes no local de trabalho;
  • estabelecimento de um clima de segurança, com apoio expresso da alta direção e líderes dos serviços de saúde.

O OMS definiu ainda cinco momentos para a higiene das mãos, de acordo com o fluxo de cuidados assistenciais:

  • antes de tocar o paciente;
  • antes de realizar procedimento limpo/asséptico;
  • após risco de exposição a fluidos corporais;
  • após tocar o paciente;
  • após contato com superfícies próximas ao paciente.

Anvisa: regulamentação, suporte técnico e informação

No Brasil, a Anvisa tem empreendido uma série de ações para disseminar a cultura de HM e fornecer subsídios técnicos e informativos aos gestores, profissionais que atuam nos serviços de saúde e no Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS).

A Resolução da Diretoria Colegiada nº 42, de 25 de outubro de 2010estabeleceu a obrigatoriedade de disponibilização de preparação alcoólica para a HM nos pontos de assistência, em serviços de saúde do país.

Já a RDC nº 36de 25 de julho de 2013, instituiu ações para a segurança do paciente em serviços de saúde, contemplando protocolos básicos nacionais de segurança do paciente, entre os quais se destaca o protocolo de prática de HM.

Em 2018, foi publicada a Nota Técnica 01/2018-GVIMS/GGTES/ANVISA, que traz os requisitos necessários para a seleção de produtos de HM, visando a aplicação das boas práticas estabelecidas para esse procedimento.

A Agência disponibiliza, ainda, diversos materiais de apoio, incluindo cartazes, relatórios, que podem ser utilizados como suporte para as ações de capacitação e comunicação.